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Desde pequeno quis ser padre
Ir. João Paulo Garcia, nLC
O ideal de toda criança é ser como seu pai, porque vê plasmada nele a figura de um grande homem. Por nascer numa família católica, pude conhecer a grandeza de outra classe de homens: os sacerdotes. Desde pequeno queria ser sacerdote, ou melhor, papa, mas certamente Deus usou deste erro para lançar o chamado no meu interior: Vem e segue-me.

O ideal de toda criança é ser como seu pai, porque vê plasmada nele a figura de um grande homem. Por nascer numa família católica, pude conhecer a grandeza de outra classe de homens: os sacerdotes. Desde pequeno queria ser sacerdote, ou melhor, papa, mas certamente Deus usou deste erro para lançar o chamado no meu interior: Vem e segue-me.

 

            Mas se por um lado não queria ser exatamente como meu pai, não era por falta de exemplo do mesmo. Pelo contrário, fui criado em um ambiente muito católico no qual meus pais eram os primeiros a dobrarem os joelhos, para depois ensinar-nos fazer o mesmo. Minha mãe foi a primeira professora no ler e escrever e também na oração. Meu pai, homem justo e exigente, dava a César ao que é de César e a Deus o que é de Deus. Inculcaram, pois, em nós esse espírito do autêntico cristianismo na mais tenra idade, com suas manifestações religiosas terços e missas diários, etc. até a vivência dessa vocação maravilhosa caridade com os pobres, companhias seguras e atividades puras.

 

            Sendo assim, desejavam ardentemente que um dos seus tivesse a honra de ser escolhido por Deus para o sacerdócio. Como foi dito, esse estado de vida para mim era algo grande, pois havia palpado exemplos muito atraentes, sacerdotes fiéis e santos. Podia conviver com eles freqüentemente e essa acolhida tão natural foi o que possibilitou o conhecimento de um legionário.

 

            No entanto, antes disso, vivia pensando como encontrar o caminho desejado, pois temia, como é normal, uma vida de oração e claustro, idéia comum na cabeça de quem desconhece o que é a vocação sacerdotal. Sentia-me atraído às coisas lícitas de todo jovem: futebol, computador, atividade e pensava ter de me separar delas para seguir o chamado. Como conciliar tudo isso? Eis minha dúvida, solucionada logo que conheci a Legião. Poderia realizar meu grande sonho juntamente com as outras coisas boas que queria.

 

            Nesse contexto, conheci o primeiro sacerdote legionário no segundo semestre do ano 2000, vivendo em Itajubá, Minas Gerais. Meus pais, estando numa comunidade religiosa, viram um padre. Quase instintivamente convidaram-no para visitar-nos: não perdeu a oportunidade, levou fotos do seminário e apresentou-nos a Congregação. Naquele instante já encontrei o que queria.

 

            Como explicar esse chamado? Impossível... se nem nós que o recebemos somos capazes de entendê-lo! A vocação não é para ser explicada ou entendida e sim respondida com generosidade. Deus chama e espera a resposta, pois Ele, ao nos amar e escolher, começa a precisar de nós para a salvação do mundo. O único que nos compete relatar é que essa voz, oculta como um ruído na noite, foi ouvida com uma claridade e certeza singular. Fingir não a ter escutado, seria um crime, e viver atormentado de remorsos. Segui-la, porém, consiste a maior alegria ao alcance do ser humano.

 

            Decorreram-se quatros ansiosos anos de espera para o cumprimento da idade mínima de entrada no seminário menor, onde pude ingressar no ano de 2004, em São Paulo, Brasil. Nesse tempo minha grande ocupação era fazer as convivências e contar nos dedos os dias. Afirmo tranqüilamente, jamais ter diminuído nessa vontade de doar minha vida a Deus, sendo sempre apoiado por minha família. Inclusive, ilusionava-me tanto com a perspectiva a ponto de não ter medo de apresentá-la aos meus amigos e de falar abertamente sobre esse meu sonho tão grande.

 

            A solução dos obstáculos, não faz parte do pacote do chamado. Pelo contrário, Cristo não teme em dizer: Quem quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me. As dificuldades vêm, ora a família, ora a antiga vida, mas Cristo é o amigo que nunca falha, a esperança que não defrauda, a riqueza que não se corrompe e desvaloriza. Jamais se deixa vencer em generosidade. Vale à pena! A cruz carregada ao lado de Cristo é pesada, mas nada mais belo do que o sofrimento levado por amor.

 

            Aos que tenham a graça de ouvir esse chamado, lhes deixo essa mensagem: Não tenham medo, Cristo não tira nada, mas dá tudo. Lancem-se sem medo: aos que deixaram tudo e me seguiram, lhes prometo cem vezes mais nessa vida, e depois, a vida eterna!
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