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Era mais ou menos 10 da noite, numa espécie de porão ou garagem. Estava terminando um ensaio de música com um grupo de amigos. Rapidamente vi na porta um sacerdote! E vestido de sacerdote!? Eu nunca havia visto isto antes. A impressão que causou em mim foi muito profunda: era inquietante mas, por sua vez, seu rosto era sereno; refletia grande dignidade e ao mesmo tempo sinceridade; parecia estar muito distante e, ao mesmo tempo, muito perto. Em seu sorriso se via a plenitude e realização de quem tem tudo sem ter nada. Eu havia encontrado um homem de Deus. A primeira coisa que me veio à mente foi: que bonito é ser sacerdote!. Mas em uma fração de segundos, ao me dar conta do que estava pensando, comecei a me dizer: Não. Não é bonito. Não é bonito ser sacerdote. Não é! E passei os seguintes cinco ou seis meses buscando convencer-me disto. Intuí imediatamente muito do que significava este impulso que havia surgido dentro de mim. Senti medo. Nasci em Joaquim Távora, em 9 de maio de 1974, e fui batizado em Quatiguá 22 dias depois, na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida. As duas cidades são pequenas, no norte velho do estado do Paraná, no sul do Brasil. Em minha casa, rodeado de um ambiente de muito amor, fiz a escola prática de muitas virtudes, graças ao exemplo de meus pais e familiares. Tudo isto dentro de uma grande normalidade nas diversas etapas de minha vida. Considero insubstituíveis para minha história e o futuro de minha vida estes exemplos que presenciei em minha infância. A mão providente de Deus ia preparando os caminhos para minha alma. Aproximei-me da Igreja tocando violão Saí de cada com quatorze anos. Certamente não por rebeldias da idade! Tinha decidido no ano anterior que ia
Durante meus quatorze e grande parte dos quinze anos não ia com freqüência à Igreja. Neste tempo vivia com uma tia, quase da minha idade, mas há anos-luz de mim em questão de maturidade, de vida espiritual e profissional. Minha tia participava em um grupo de jovens, ao qual me convidou em várias ocasiões. Eu sempre disse que não. Ela chegava destes momentos de oração e convivência resplandecente de felicidade, e isto me incomodava. As pessoas que andam com Deus sorriem por qualquer coisa, porque vêem a Deus em tudo. Com o tempo, meu incômodo se converteu em curiosidade. E chegou a grande oportunidade. Um dia minha tia chegou e disse: O rapaz que toca violão em nosso grupo está com hepatite. Por que não nos ajuda este mês? Não vai custar nada. Aceitei com a condição de que fosse só por aquele mês. Percebi naqueles jovens uma grande sinceridade em sua religiosidade e o papel transformador que este compromisso tinha em suas vidas. O ambiente de verdadeiro encontro com Jesus na orações me encantou. Depois disse a minha tia que tinha se esquecido de uma motivação muito importante: as meninas tão lindas que estavam no grupo! Foi então que chegou o sacerdote que mencionei no início deste relato. A partir daí as coisas foram acontecendo muito rápido. Chamei-me de hipócrita a mim mesmo, já que havia me interessado muito pelo sacerdócio. Mas este assunto era muito insólito para mim. Eu nunca havia pensado em ser sacerdote até então. E sim, senti medo. O fim de semana seguinte a estas reflexões pessoais, minha namorada, do nada, me perguntou: Nunca pensou em ser sacerdote? Vejo que muita gente vem pedir conselho a você Confesso que a pergunta me deixou gelado. Tomei a tangente no assunto dizendo-a que havia outras maneiras de terminar com um namorado. Uma e outra vez Deus aproveitava as ocasiões para sugerir a meu coração a partilha de sua amizade e missão. O noviciado: um ambiente de caridade e alegria Enfim. Depois de esgotar meus motivos para não visitar o noviciado dos Legionários de Cristo, decidi fazê-lo. Era só uma visita Decidi chamar meus pais para dizer-lhes que gostaria de conhecer um seminário na cidade de Curitiba. A princípio não entenderam e não foi fácil aceitarem minha decisão; mas nessa época já tinha 19 anos e não ia mudar de opinião. O que a princípio temia se tornou realidade: encontrou no noviciado um ambiente de profunda alegria, traçada em sorrisos sinceros e consistentes, em olhares limpos e decididos a partilhar a alegria que provinha de seu encontro com Cristo. Tudo isto dentro do ambiente equilibrado da caridade que envolvia a todos, e que me fez sentir-me no céu. Eu não sabia se aquilo ia ser meu caminho, mas decidi voltar para o curso de verão e dar a Deus a oportunidade de me mostrar o que Ele queria de mim. Senti que o medo se diluía em meio de toda a alegria que sentia. Não sei explicar de outra forma. Deus quis se fazer sentir muito presente com seu alento por este pequeno passo que eu havia dado. Esta sensação eu sentiria depois inúmeras vezes no caminho até o sacerdócio. Cada pequeno passo sempre foi acompanhado pela suave mão de Deus que queria manifestar sua alegria por seu filho que caminha. Ao voltar à rotina diária de minha vida enfrentei muitas dificuldades para manter-me em meu propósito de ir ao curso vocacional de verão. Estas vinha de todos os lados: minha pobreza e ignorância na vida espiritual, o ter que deixar meus estudos, a falta de apoio inicial de minha família Enfim: custava muito deixar meus planos para apropriar-me daqueles que Jesus me entregava nas mãos. Superadas todas estas dificuldades iniciais vejo que tudo isto era um treinamento para o futuro. Deus contempla todas estas coisas em nosso caminho para nos preparar e ir transformando àqueles que Ele escolheu para serem seus sacerdotes e almas consagradas. Tive que buscar alguns meios para descobrir e amadurecer a vontade de Deus em minha vida. Considero que foram fundamentais a proximidade a Jesus na Eucaristia recebendo-o todos os dias, a oração viva de coração a coração com Ele, a renovação de meu amor e o pedido de perdão por minhas misérias na confissão; o esforço por ajudar aos outros em projetos apostólicos concretos, e a busca da prudente orientação espiritual de um sacerdote santo. Como em toda família a mãe tem um lugar único, assim a Virgem Maria ocupa esse lugar em minha vocação. Teria tantas coisas para dizer dela em minha vida durante estes anos! E outras tantas que eu mesmo desconheço. Imagino que no céu seremos como as crianças sob a árvore de Natal abrindo todas estas surpresas que nossa Mãezinha nos foi preparando. Quero agradecer a Deus por sua fidelidade e misericórdia infinita; a meus pais, por sua fé e companhia; a Nosso Padre Fundador, o Pe. Marcial Maciel, que sempre foi para mim um pai e modelo sacerdotal; a meus superiores e irmãos da Legião e do Regnum Christi, pela mais genuína caridade e exemplo de amor operante a Cristo; e a todas as almas que um dia conhecerão todos os frutos de suas orações pelos sacerdotes e as vocações. Deus abençoe a todos. O Pe. Emerson J. K. Belasque nasceu em Joaquim Távora, Paraná, em 9 de março de 1974. Na cidade de Maringá, cursou o ensino médio nos Colégios Drummond e Nobel, para iniciar o curso de odontologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em 14 de janeiro de 1993 ingressou no noviciado da Legião de Cristo em Curitiba, Brasil. De 1995 a 1996 trabalhou como formador nos centros vocacionais da congregação. Em outubro de 1999 chegou a Roma para começar o bacharelado e depois a licenciatura em filosofia no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum. De 2003 a 2004 foi instrutor de formação no Colégio Cumbres de Mérida (México). Desde outubro de 2004 se encontra em Roma, onde cursou o bacharelado em teologia e atualmente se encontra cursando a licenciatura em teologia moral, e é membro da equipe de formadores do Pontifício Colégio Internacional Maria Mater Ecclesiae. |
Bento XVI aos sacerdotes (I): não basta fazer <www.zenit.org, Junho 16> Lições do Papa: sofrimento da Igreja à luz de Fátima <www.zenit.org, Maio 19> Questão da ética na informação eclesiástica <www.zenit.org, Maio 19> | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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